sábado, 28 de agosto de 2010

menina.

De repente , eu vi aquela menina que mostrava a cara , que se jogava , que fazia e acontecia , completamente amuada.
Sentada num canto sozinha , segurando os joelhos , com a cabeça no meio das pernas , como quando criança chora.
E se sente impotente , e se sente dependente , e se sente infantil.
O medo faz com que as coisas pareçam assustadoramente maiores do que são - e ela sabe disso.
Acende um cigarro , toma mais um gole , mas no fim, nada faz passar.
E ela começa a se afastar dos amigos , da familia , do mundo. E vive em um mundo interior e só dela.
Um mundo cheio de perguntas que ela não sabe a resposta mas ainda assim , o mundo onde ela se sente mais segura.
Talvez porque saiba que ela mesma não vai se abandonar , talvez porque ela construiu esse mundo a vida inteira - e se refugiou nele a vida inteira.
E eu tento estender a mão , eu tento salva-la , mas ela se afunda cada vez mais.
Rejeita toda a ajuda.
Ela quer resolver as coisas sozinha , mas será que ela não percebe que não tem forças ?
Que não tem mais a vontade que ela tinha antes , de brilhar ?
Mesmo sentada ao seu lado , é como se eu fosse invisivel aos olhos dela.
E a pior coisa do mundo é se sentir invisivel.
Era assim que ela tratava seus amigos , seus familiares , e a si mesma.
Invisivel , insensivel.
Insensivel por sentir demais.
Por se machucar demais.
Por chorar demais.

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