Te pedindo companhia, porque a madrugada é pior quando não se tem alguém.
Você vai chegar na minha casa, e eu vou abrir uma vodca enquanto você se senta na minha cama e calmamente tira os sapatos.
Eu vou te contar da minha semana e você vai reclamar do meu sumiço.
Enquanto bebemos o clima vai fluir.
Você vai reclamar da festa em que estava e também da sua ex namorada.
Eu vou deixar a garrafa pra lá e vou sentar ao seu lado enquanto tranquilamente você tira da carteira e coloca em cima do espelho.
Eu faço um canudo e você ri por eu ser desajeitada.
Você levanta pra pegar a garrafa e eu vou no que você deixou no espelho.
Vou te olhar de longe, e vou te desejar cada vez mais.
Um raio, um gole e em menos de 5 minutos nós estamos conversando sobre seu cachorro, sobre a morte do papa e sobre os traumas da escola - nós já sabemos tudo isso, mas sempre comentamos sobre as mesmas coisas.
Você arruma meu cabelo. Eu te olho nos olhos.
Eu nunca quis me envolver, mas com você sempre é diferente.É mais do mesmo.
Você deita na minha cama, eu derrubo vodca na sua roupa. Você ri, eu tiro a sua camiseta.
A gente conversa sobre o mundo e quando nos damos conta, estamos de novo, deitados na cama, suados e rindo.
Não é amor. Não vai ser amor nunca. Eu apenas gosto da sua companhia e você gosta de transar comigo.
Não vai ser amor, eu não vou deixar ser.
Eu resolvo tomar um banho enquanto você arruma a bagunça que a gente fez.
Eu escuto a porta se fechando. Eu sei que você já foi embora, eu te ligo de novo.
Eu queria que você ficasse. Que você deixasse pelo menos uma vez eu adormecer em teus braços.
Você volta, pela primeira vez você volta.
Eu fico quase feliz, mas você não deixa.
''Não, menina, eu não posso ficar. Quem sabe outro dia?''
Um beijo na testa, um abraço e você indo embora - de novo.