sexta-feira, 10 de setembro de 2010

texto de André Oliveira.

'Real effed life

Nessa tela febril posso mudar o que quiser, aumentar o volume, diminuir o contraste, intensificar o brilho. Escolher outra estação, que leva outro trem, com outros passageiros. Do outro lado da tela, o passivo que afunda sentado, não se pode apertar e trocar, ajustar sua realidade como bem entender e ficar satisfeito com o resultado. Não se controla como quer. Então é receber as imagens e sons, submergir e não pensar, a letargia e o perigo, o bronzeado artificial, os olhos secos e lubrificados.

Na mão, gira o telefone, o olhar para a tela, os dedos ameaçam as teclas, as setas que fazem subir e descer on números se aglomerando e sendo apagados. O olhar inquieto como as mãos, o que fazer é o pensamento. Os nomes escritos. Na mente algumas palavras se formulam, a discagem, segue-se hesitação e cancelamento. E o tempo passa, e a ação imaginada não é concluída. Não existe momento correto. Divagando, os cheiros se misturam, formando a imagem etérea na espera, do que aconteceu nas últimas horas, se perdendo na hipnose e em si mesmo, oscilando em quase silêncio, quase apreensão.'


Postado em http://folhasavulsas.blog.terra.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário